Pular para o conteúdo principal

Sobre a Cruz

“Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo.” (Gl 6,14)

Uma grande amiga presenteou-me com uma bela cruz. Levo-a em meu peito num cordão que uma outra grande amiga fez em crochê. Numa comunidade uma pessoa olhava muito para mim. No fim da reunião ela pediu para ver a cruz. Achou a cruz muito bonita e disse que queria uma cruz como aquela. 

Fiquei pensando sobre isso. A cruz se tornou enfeite. Brincos, colares, anéis, etc. Vemos a cruz em todos os lugares. Até em lugares onde se pratica a maldade. Mas, até que ponto sabemos que a cruz é um projeto de vida? Sabemos que a cruz é um sinal de amor?

No inicio, a cruz era o pior instrumento de tortura. Destino dos opositores aos impérios e sorte dos amaldiçoados. A cruz foi vista como a pior das armas.

Depois, na cruz, foi pregado Jesus Mestre. Num profundo gesto de amor, para nos salvar de todos os males, o Cristo se entrega voluntariamente à tortura da crucifixão. Por mais violenta que era, a cruz deixava de ser sem sentido, e passava a ser o altar verdadeiro onde o verdadeiro cordeiro era imolado. Assim, a cruz se tornou o verdadeiro símbolo do amor.

Agora a cruz é um projeto de vida e de espiritualidade. A cruz representa amor, entrega, humildade, serviço, caridade, combate, paz, comunhão. 

Para o discípulo de Jesus, a cruz é uma meta a ser atingida através da identificação com seu Mestre. O sonho do discípulo é ser como o Mestre. Mas, como ser como um Mestre que morre tragicamente numa cruz? Deveremos carregar a cruz que Ele carregou? A resposta é não! Jesus tornou-se sacrifício para que nós não fôssemos sacrificados. Ele diz: “E quem não carrega a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo”. (Lc 14, 27) Jesus nos pede que carreguemos a nossa cruz e não a dEle.

O discípulo deve assumir sua própria vida, com seus riscos e problemas, com suas dores e dilemas, sem deixar de lado o projeto de seu Mestre que consiste em vida plena para todos (cf. Jo 10,10). É vivendo o discipulado que conseguiremos olhar para a cruz e relacionar a dor do Mestre com as nossas dores. a cruz só tem sentido quando percebemos o sacrifício daquEle que entregou toda a sua vida  no altar da cruz. A cruz não é adorno nem enfeite. A cruz não serve para embelezar pescoços. A cruz serve para nos lembrar que alguém morreu por nós e também serve para nos convidar a seguir os passos do Mestre que tem o melhor projeto para as nossas vidas. 


Oração: Senhor Jesus Cristo, Mestre de mim, em vossa Cruz assumistes as dores de toda a humanidade em todos os tempos. Fizestes sacrifício de vossa própria vida para que nós tenhamos vida plenamente. Fazei que eu possa carregar o símbolo de vossa cruz no meu peito e consiga carregar a minha cruz no dia a dia. Assim seja.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Saboreando o Livro: "É BOM CRER EM JESUS""

PAGOLA. José Antonio. É bom crer em Jesus. Petrópolis: Vozes, 2016. 221 páginas. Dificuldade de Leitura (1 a 10) : 3 Minha opinião: "Livro delicioso para quem tem amor e curiosidade sobre Jesus Mestre. Bíblia e espiritualidade de mãos dadas". "É Bom Crer em Jesus", livro do renomado teólogo espanhol José Antonio Pagola, busca apresentar Jesus de Nazaré de forma humana e próxima à realidade histórica. A obra aborda temas centrais da fé cristã, como a vida e os ensinamentos de Jesus, seus milagres, a mensagem do Reino de Deus, a paixão, morte e ressurreição, e sua relevância para a sociedade atual. Através de uma linguagem clara e acessível, Pagola convida o leitor a uma jornada de reflexão sobre a figura de Jesus e seu impacto em nossa história. Sua proposta principal é apresentar Jesus de Nazaré de forma autêntica, desmistificando algumas crenças tradicionais e revelando sua humanidade. O autor, busca compreender Jesus não como uma figura somente divina ou dis...

Entendendo o Documento "Mãe do Povo Fiel"

"P erto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena.   Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, este é o teu filho”.   Depois disse ao discípulo: “Esta é a tua mãe”. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo." (Jo 19,25-27)     Uma das principais características da fé cristã é a criatividade. A capacidade de pensar, repensar a vida cristã e vivê-la no cotidiano, faz da fé um elemento fundamental na busca do sentido. Porém, por vezes, muita criatividade pode nos afastar do essencial e nos fazer ocupar com elementos secundários que turvam a visão da própria fé. Nosso amor por Maria se dá em relação ao nosso profundo amor por Jesus. É Ele quem nos dá Maria por mãe (Jo 19,25-27).     Há momentos em que o nosso frágil amor “cega” e, assim, desvinculamos Maria, primeira e maior discípula, de Jesus, nosso Mestre e Senhor. Da mesma forma que na Trin...

Jo 3,1-36 - TRADUÇÃO DISCIPULAR DO NOVO TESTAMENTO

CAPÍTULO 3 Jesus é o Mestre dos mestres 1. Nicodemos era um importante mestre fariseu. 2. Ele se encontrou com Jesus Mestre à noite, e disse: "Rabi, com certeza tu és Mestre, vindo de Deus. Ninguém realiza os sinais que fazes, sem a presença de Deus." 3. O Mestre disse: "Na verdade, na verdade lhe digo: Só quem nasce de novo, poderá ver o Reino de Deus." 4. Nicodemos perguntou: "Como um velho homem pode nascer de novo? Voltará ao ventre de sua mãe e nascerá?" 5. O Mestre respondeu: "Na verdade, na verdade lhe digo: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. 6. Quem nasce da carne é carne, Quem nasce do Espírito, é espírito. O Mestre é a razão de viver 7. Não se admire quando lhes digo que se deve nascer de novo. 8. O vento sopra onde quer. Ouve-se o barulho, mas não se sabe sua origem nem seu destino.  Assim é quem nasce do Espírito.  9. Nicodemos perguntou: "Isso acontece como?" 10. Jesus Mestre respondeu: ...